quarta-feira, junho 28, 2006

Pagando mico pra cachorro


Quando a gente inicia uma carreira, invariavelmente, haverá o risco de se pagar mico.

Em 2002, eu e Horácio (meu amigo violonista que me acompanha) nos apresentávamos, todas as sextas-feiras, em um conhecido restaurante localizado na Bahia Marina (Av. Contorno). Num belo dia, uma das donas me chamou e disse que haveria uma festa de clientes no sábado, ao por do sol. Falou também que os referidos clientes já conheciam o nosso trabalho e que desejavam nos contratar. Como Horácio tocava no Hotel Sofitel e estava impossibilitado de me acompanhar, convidei um outro amigo para a função. Tudo ficou acertado.

Após alguns dias de ensaio, enfim, chegou a hora da festa. Chegamos pontualmente às cinco, armamos o som. O sol estava lindo, brisa soprando suave, tudo caminhava em perfeita harmonia. Os convidados começaram a chegar. Foi aí que finalmente notei a decoração - parecia festa infantil! Bolas de soprar, chapeuzinho de cone e pratinhos da "Dama e o Vagabundo". Como era possível? Será que a criança era do tipo geniozinho e já nasceu gostando de Bossa Nova? Ô, ô!!!!! Comecei a desconfiar. Algo havia e não estava correto!! E foi chegando gente, e chegando, e chegando, e nada de criança. Até cachorro chegou. Mas pera aí, que diacho tinha aquele cachorrinho que todo mundo que chegava ia fazer uma gracinha pra ele? Deixei quieto. Demos início à apresentação.

Já estavamos lá pela quinta música quando me chega outro exemplar da espécie canina. E aí, pela alegria geral, pude entender que a festa estava completa. Não se tratava de uma mera comemoração de aniversário, mas, sim, de um pedido formal de noivado. Os comportados e simpáticos cachorrinhos iam trocar de alianças (ou seriam coleiras?!). Eu e meu partner nos entreolhamos, trocamos uma risadinha discreta e demos continuidade ao nosso trabalho.

Foi uma experiência inesquecível. E devo dizer que nunca mais na vida tive o prazer de cantar pra uma platéia tão cativa, participativa e educada quanto aquela. Tanto as pessoas quanto os bichinhos foram de uma delicadeza que só vendo. Nos restou apenas cantar para os noivos "Eu sei que vou te amar", desejar felicidades e uma proveitosa lua-de-mel.
Mico? Paguei sim, mas voltei pra casa com troco.

5 comentários:

Senna disse...

Bom, da história eu sabia e já ri bastante com ela!! Agora, fica aqui o convite para o dia 15 de agosto, para a festa de aniversário de Burghinha. minha Labrador. Ela faz 6 anos e vai ter bolinho de osso para todo mundo ! Tá contratada viu... marca na agenda!

Leticia Gabian disse...

Eu preciso saber se ela gosta do meu repertório. Se ela puxou ao pai, sei que sim. Mas se ela degenerou....melhor contratar a banda calypso.

Hera disse...

E eu me achava neurótica com meus cachorros... Pedido de noivado... Pense na loucura!!! Mas a história é eexcelente!!! Não me contive de tanto rir!

Leticia Gabian disse...

Rir é bom demais. vivenciar experiências hilariantes é melhor ainda. Faz um bem!!!!!

Daniel laredo disse...

você tá demais. Eu ri muito!