quinta-feira, junho 01, 2006

Um espermatozóide na SBPC


Adoraria dar um cascudo na cabeça do sujeito que inventou a máxima: o cliente sempre tem razão.

A 53ª Reunião Anual da SBPC aconteceu aqui em Salvador, em julho de 2001. Uma Feira de Artes foi parte integrante do Encontro onde aluguei um stand para expor meus trabalhos de pintura em papel, tecido e madeira.

No sábado, o primeiro dia da feira, eu e meu filho Gabriel chegamos bem cedinho, mais de meia hora antes do início. Às nove e meia já havíamos vendido o valor correspondente ao stand. Depois ficou tudo uma pasmaceira só. Muita gente chegava, olhava, tocava, elogiava, perguntava preço, e nada. Até que apareceu uma senhora, de uma certa delegação do Norte/Nordeste, e, como sempre, olhou tudo, futucou tudo, perguntou tudo, até se deparar com um panô de motivos rupestres – uma tartaruga, um quadrúpede, um lagarto, uma cobra. “COBRA! Isso lá é cobra, minha filha?” Perguntou-me ela indignada. E completou: “Isso é um espermatozóide!!!” E se voltou a todos que estavam lhe acompanhando buscando um reforço para sua tão segura afirmação. Como era de se esperar, todos confirmaram com a cabeça e alguns ainda foram mais enfáticos: “Isso é um espermatozóide sim. Não há dúvidas”.

Gabi e eu fizemos cara de paisagem e a simpática, porém tapada senhora, se foi junto ao seu séquito de aculturados. Embora a nossa vontade fosse a de despejar o forte subtexto que fazia ferver as nossas cabeças, a gente se segurou. Afinal, “o cliente sempre tem razão”.

Um comentário:

Daniel Laredo disse...

Achei esse seu "causo" ótimo! ri sozinho, parecendo um maluco.
Bitoca procê